John Green e seus adolescentes

Eu li “A Culpa é das Estrelas” há alguns meses, mas demorei pra ver o filme. Parte de mim tinha um pouco de receio de ver personagens que eu gostei serem de alguma forma mudados (trauma de quem ama certos livros e os viu não serem bem retratados na telona).

Mas, aí a NET me ajudou e disponibilizou o filme e num domingo à tarde eu vi Hazel Grace e Augustus Waters saírem da minha imaginação e, mais uma vez, me emocionarem.

fishingboatproceeds.tumblr.com/

fishingboatproceeds.tumblr.com/

Sabe, eu ando meio obcecada pelos livros do John Green. Quando eu queria ler “A Culpa…” o marido me deu de presente um box com todos os livros do Sr. Green e aí eu tenho preenchido minhas noites com seus romances. Até agora já foram 3 e estou terminando o quarto.

E comecei a pensar no porquê de esses livros me atraírem tanto. Eu tenho uma relação com a literatura que é de puro prazer. Sim, eu curto ler livros densos e clássicos (apesar de ter parado no meio de Crime e Castigo e Mrs. Dalloway. #vergonhadefine), mas nada me deixa mais feliz do que encontrar personagens legais, bem escritos e histórias que me fazem imaginar cenários e lugares que não fazem parte do meu mundo (muito amor por Senhor dos Anéis, Harry Potter, As Crônicas de Nárnia e tantos outros).

Aí chega o John Green com seus adolescentes (e ele só escreve sobre adolescentes!). Eu li  no tumblr dele, inclusive, alguém perguntando por quê ele não escreve sobre adultos e ele respondeu que adultos são chatos. E eu concordo taaaanto com ele! E neste artigo da The New Yorker ele é aproximado de J.D. Salinger (autor de “O apanhador no campo de centeio”, que é outro livro que amo!) no que diz respeito aos adolescentes: “…adultos subestimam a profundidade emocional dos adolescentes” (tradução minha). E, talvez por isso seus livros sejam tão envolventes: os jovens que ele retrata são sempre inteligentes e perspicazes, mas sem perder a inocência e intensidade tão característica dessa idade.

Eu até me lembrei de quando Dawson’s Creek foi lançado e era um seriado criticado por alguns devido aos diálogos entre os personagens; alguns críticos achavam que adolescentes de verdade não eram tão inteligentes ou eloquentes. Que grande burrice, não?

E, como vocês já sabem que eu sou nostálgica por natureza, ler os romances do John Green me transporta pra uma época tão legal e tão cheia de descobertas que eu fico mega contente quando chego em casa e pego meu livrinho e sou transportada pr’aquele mundo criado pelo John.

Pra quem ainda não leu nada dele ou parou no filme  “A culpa é das estrelas” eu recomendo os outros livros. Até o momento, nenhum deles me decepcionou.

 

Sobre pai e filha

Essa semana eu li uma história tão linda, triste e comovente que tive que vir compartilhar.

O pai da garotinha Josie Zetz, de 11 anos, tem câncer e ele não vai conseguir entregá-la no dia de seu casamento. Mas, graças à fotógrafa Lindsey Villatoro a pequena Josie pôde ter essa experiência com seu pai.

Villatoro é fundadora do projeto Love Song Photography que há dois anos passou a oferecer sessões fotográficas para pessoas que têm doenças sérias ou mesmo terminais.

A história inteira está aqui e vale muito a pena ler! A pequena Josie ganhou um vestido, um buquê, presentes, uma cerimônia completa! E, apesar da emoção envolvida com a cerimônia e saber que seu pai um dia não estará com ela, ela disse: “este é o melhor dia da minha vida”!

 

Foto: Lindsey Villatoro (The Huffington Post)

Foto: Lindsey Villatoro (The Huffington Post)

Eu que “fui entregue” pelo meu pai e pela minha mãe no dia do meu casamento fico tentando imaginar esta meninina não tendo isso no futuro. Mas, ainda bem que esse projeto da Villatoro existe e ela pôde viver este momento! Realmente é uma história linda de amor entre pai e filha!

Sobre saudades

Hoje minha mãe me contou que foi almoçar na casa da minha tia mais velha, irmã dela. Até aí tudo bem. Ir à casa da minha tia aos domingos é tradição há muuuuuitos anos.

Aí minha mãe me fala que comeu nhoque e carne enrolada e me bateu uma saudade imensa de Uberlove (nome carinhoso dado à minha saudosa Uberlândia) e de todas pessoas lindas que tenho por lá…

Comer nhoque e carne enrolada na casa da minha tia me faz lembrar de muita coisa boa e às vezes bate uma tristezazinha por estar tão longe. Então, me lembrei da Magali. Sim! A Magali que come melancia. Uma das melhores histórias dela é quando a Mônica vai contar que “saudade” é uma palavra em português que não tem tradução em nenhuma outra língua e elas começam uma conversa sobre isso. E, no final, a Magali chega à conclusão que a próxima saudade que ela teria seria da infância dela…

saudade_magali

Me lembrei também deste outro texto aqui que fala sobre o dom da saudade e que tem uma frase do C.S. Lewis que me fez pensar:

“C.S. Lewis says that if we ‘find in [ourselves] desires which nothing in this world can satisfy, the only logical explanation is that [we] were made for another world’. “

E como hoje é domingo, dia do Senhor e de ficar com a família, eu vou me deixar ter saudades das coisas simples como o nhoque e carne enrolada …

E vocês? De que têm saudades?

Sobre empatia

Há algumas semanas eu me deparei com este vídeo em algum blog dos milhões que leio todos os dias.

O vídeo é narrado pela Dra. Brené Brown e, basicamente, fala sobre a diferença entre empatia e simpatia: “nós somente podemos criar uma conexão empática verdadeira quando nos colocamos em contato com nossas próprias fragilidades” (tradução minha).

E na minha cabeça ficou martelando essa diferença entre empatia e simpatia e eu fiquei me perguntando durante dias: por que é tão difícil sentir empatia pelas pessoas? E confesso que ainda não consegui responder.

É fácil falar os “pelo menos” da vida: “pelo menos você está casada”; “pelo menos você tem um emprego”; “pelo menos você tem saúde”… Mas, é muito difícil se livrar de pré-conceitos e olhar pra si próprio e entender, dentro da gente, algo que se conecte com o que a outra pessoa está sentindo. Ou ainda, nem olhar pra gente, mas olhar para o outro e compreender sua dor e seu momento.

Eu espero sempre conseguir ter empatia com as pessoas; espero ter a graça de conseguir me conectar, em amor, com quem está ao meu lado. Na minha opinião o mundo precisa muito mais de conexões em amor do que de “pelo menos”.

E vocês? O que pensam sobre isso? Por que é tão mais fácil ter simpatia do que empatia?

Ps: se alguém precisar de tradução do vídeo me avise que envio! =)

 

 

 

 

 

Sobre conectar os pontos

Esta última semana foi muito boa! Depois de um ano e meio morando no Rio e super distante da minha área de formação, eu recebi a notícia linda que vou voltar a fazer uma das coisas que curto fazer!

E depois de chorar agradecida a Deus, dar pulinhos de alegria, ligar para um monte de gente e ir pra Santa Teresa comemorar com o marido, eu pensei em muita coisa sobre minha trajetória profissional e pessoal.

Eu comecei minha vida profissional meio tarde, por conta de algumas más escolhas pessoais e durante muito tempo eu achava que a falta de experiência seria determinante na minha trajetória profissional. E, incrivelmente, não foi. Nem tudo foi mil maravilhas, mas posso afirmar, com certeza, que todos os lugares por onde eu passei tiveram um impacto enorme na minha formação e, hoje, com a perspectiva do tempo, eu consigo enxergar todos os pontinhos conectados na minha caminhada profissional.

É bem o que o Steve Jobs fala neste vídeo aqui:

Então, se você que anda lendo minhas abobrinhas tem passado por um tempo no qual tudo parece desconectado, mantenha o foco! Continue se esforçando a estar perto daquilo que você ama fazer e, acredite, aqueles pontinhos farão sentido um dia e cada um terá seu valor!

E já que hoje é domingo, aproveito pra desejar uma semana cheia de pontinhos conectados pra todo mundo! 😉

Sobre French Milk

Já escrevi aqui que a Joanna é uma das minhas blogueiras favoritas, né?

Algumas semanas atrás eu estava fuçando no blog dela e em um post ela fala do livro French Milk da Lucy Knisley – quadrinista americana. O trabalho dela é bem auto-biográfico e ela costuma dar muita ênfase à comida no que ela escreve/desenha, o que faz com que seus livros sejam uma delícia de ler!

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Esta é minha cópia do livro. Achei apropriado usar um marcador de páginas de Paris. 🙂

Eu comprei o French Milk há duas semanas e foi um dos livros mais gostosos que já li! Primeiro porque ele é um diário. E eu amo diários (o primeiro livro que lembro ter escolhido ler foi um diário – de Anne Frank, quando eu tinha 10 anos). E além de tudo, French Milk se passa em Paris, o que já faz o livro valer muito a pena!

Mas, o mais interessante, na minha opinião, é como ela desenha/escreve sobre a relação dela com a mãe e sobre as crises do final da faculdade. Quem nunca viveu uma crise, por menor que tenha sido, quando estava nesta fase?…

E você? Curte livros assim? Já leu algo da Lucy? Adoraria saber!

Sobre os nãos da vida

Esta semana foi bem propícia pra pensar na vida. Parece que certas coisas acontecem justamente para colocarmos nossa listinha de prioridades em ordem… Então, fiquei pensando sobre os nãos que recebemos na vida e como eles mexem tanto com a gente.

Já perdi a conta de quantos nãos recebi. Desde aqueles de mãe quando não podemos comer tal coisa, ir em algum lugar ou ficar até tarde na casa do coleguinha, até aqueles nãos mais sérios quando não conseguimos um emprego.

Alguns nãos são mais doídos que outros; receber um não daquele moço que a gente gosta, por exemplo. Tem coisa mais doída que coração partido?

Ou aquele sonoro não que nem vem escrito, mas está lá, bem claro, quando não vemos nosso nome da lista de aprovados no vestibular dos sonhos. Ah… Este, na minha vida, apareceu várias vezes. E, nossa, é uma sensação de derrota instantânea…

E quando a gente cresce um pouco mais vem aquele não do mercado de trabalho. “Não. Você não fez estágio.” Não. Seu currículo não é bom.” “Não. Você é inexperiente.” “Não. Seu projeto de mestrado não é bom.” “Não. Doutorado não é pra você.” E por aí vai…

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Como lidar com estes nãos? Com os nãos que fazem com que a gente desacredite que é capaz; que tem experiência sim; que tem capacidade de fazer um doutorado… Ah, minha gente, estes nãos são os mais complicados. São estes que podem acabar com a gente com uma palavrinha.

Alguns meses atrás eu vivi um não deste tipo. E veio de uma pessoa em quem eu confiava muito e, pior, veio disfarçado de sim. Confesso que demorou um bom tempo para que eu me livrar dele. Foi preciso muita conversa com quem gosta de mim de verdade e uma boa dose de ânimo para eu enxergar que aquele não não poderia me impactar; eu era melhor do que aquilo que a pessoa queria que eu acreditasse.

Acho que aí está o segredo da coisa: entender que somos humanos e como humanos temos qualidades e defeitos e não podemos deixar os nãos determinarem nosso jeito de agir com a gente mesmo.

Depois de muito pensar esta semana cheguei à conclusão que os nãos que eu recebi na vida me fizeram ter humildade e isso é bom. Por um tempo, encarava estes nãos como o fim do mundo, mas agora, apesar da ponta de raiva, decepção, frustração ou derrota, os nãos são motivadores. Eles acabam me dando força pra provar pra mim mesma que sou capaz.

Talvez seja esta a função dos nãos: serem motivadores. É claro que a gente sofre, chora, esperneia, acha que é o fim do mundo e que somos o pior dos seres humanos… Mas, depois que acalmamos vem a hora de olhar pra frente e encarar que podemos sim ser melhor do aquele não! Talvez este seja o desafio.

Alguém aí recebeu muitos nãos na vida? Gostaria de compartilhar? =)

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“Hoje é hoje e ontem se foi. Não há dúvidas.” Pablo Neruda. Propício, não?