Serial

Eu estou querendo escrever sobre Serial há algumas semanas e, hoje criei vergonha na cara pra falar sobre como eu fiquei completamente viciada nesse podcast.

Quando essa coisa de podcast começou lá no início dos anos 2000, não era lá algo que me chamava muita atenção. Me parecia chato; tinha que assinar RSS e eu não tinha paciência. Aí pula pra outubro de 2014 e chega Serial, que, rapidamente, se transformou no podcast mais escutado nos Estados Unidos e no Reino Unido.

E o que é o mais curioso desse podcast especificamente? A produtora Sarah Koenig narra, semana a semana, partes de uma mesma história: o assassinato real de uma jovem, Hae Min Lee, em 1999 e a condenação de seu ex-namorado, Adnan Syed, na época com 17 anos, a prisão perpétua.

Eu não quero ficar dando muitos detalhes sobre o podcast em si (vai que alguém se interessa e começa a escutar), mas o que mais me chama a atenção é pensar que em tempos de Netflix bombante e tantas outras mídias a que temos acesso hoje em dia, existe uma onda maluca na internet de gente completamente viciada em Serial que, colocando em termos mais simples, é quase um programa de rádio! Não tem imagens, no site não tem muitas fotos, mas é só escutar o primeiro episódio e acabou: você estará viciado!

David Sipress para The New Yorker

“Com licença, senhor. Você tem um minuto para conversar sobre o último episódio de Serial?” David Sipress para The New Yorker

E o mais interessante é pensar que estamos lidando com vidas reais. Uma menina morreu; um menino (hoje adulto) foi preso; famílias e amigos sofrem com esse crime até hoje e muita gente tem questionado o fato de se encarar um crime real como um tipo de entretenimento. Meio louco isso, né? Existe uma página no Reddit só pra se discutir Serial e a cada dia mais moderadores têm que ser acrescentados para organizar os comentários e editar postagens que possam ser ofensivas e tudo mais.

No meu caso específico, o podcast me chamou mais atenção porque o crime ocorreu em 1999. E aqui vale uma explicação: eu morei nos Estados Unidos em 1999 e frequentei uma High School normal, como a citada nos episódios. E em 1999 foi quando ocorreu o massacre de Columbine, que foi algo muuuito chocante e que trouxe sérias discussões sobre porte de armas nos EUA e na escola onde eu estudava, muitos debates em torno desse tema surgiram, além de, é claro, questões sobre bullying e, acreditem ou não, Marilyn Manson (mas, isso fica pra outro post). Foi uma época tensa. E não, eu não me lembro do caso  da Hae Min Lee (o assassinato ocorreu 3 dias depois que minha família chegou nos EUA), mas como é citado no primeiro episódio de Serial, se algo marcante acontece no seu dia você consegue lembrar dele mais facilmente; imagine, então, um ano inteiro longe do seu país vivendo coisas completamente diferentes da sua realidade até aquele momento: 1999 foi muuito marcante pra mim.

Mas, tirando as minhas peculiaridades de interesse no podcast, fica aqui a dica pra quem entende bem inglês começar a escutar. Vale muito a pena! A história é muito bem narrada; a Sarah Koenig pesquisou o caso durante mais de um ano e ainda está levantando informações devido às repercussões do podcast; a trilha sonora chega a dar um medinho e é a primeira vez, desde Dawson’s Creek e Gilmore Girls (sim, sou brega) que eu passo a semana ansiosa por um novo episódio!

E aqui embaixo tem alguns links de artigos legais, inclusive um da The New Yorker (eu amo a The New Yorker). E quem escutar, por favor, me chame para conversarmos sobre o caso. Eu consegui convencer uma amiga a escutar e, no momento, só eu e ela debatemos sobre o assunto! hehe!

“Serial: the podcast we’ve been waiting for”

“‘Serial’ Is The Year’s Best New Crime Drama (And It’s Not On TV)”

Por fim, fica o questionamento: tirando reality shows que não têm nada de muita realidade, será que a vida real pode ser encarada como entretenimento? O que vocês pensam sobre isso?

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Um pensamento sobre “Serial

  1. Jahaha sou euuu! Obrigada por me convencer a escutar Serial! Acho complicadíssimo q vida do Adnan servir como entretenimento para a gente, mas sinto que estamos ajudando a contar a historia dele ( mesmo que seja mentira!)

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